Há pratos que são mesa e memória ao mesmo tempo. Este grande “ratinho” português, do séc. XIX, tem aquela beleza directa da faiança popular: branco-creme luminoso, brilho suave do vidrado e uma presença que aquece qualquer espaço — como se tivesse sido feito para receber pão, azeitonas e conversa demorada.
À volta, o bordo desenha um ritmo quase musical: ondas a manganês, pontilhados como renda antiga, folhas e sinais rápidos, espontâneos, cheios de mão. Os verdes surgem em manchas vivas, frescas, como sombra de parreira numa tarde de Verão — e, juntos, estes dois tons fazem aquilo que a faiança portuguesa sabe fazer como ninguém: simplicidade com carácter.
No centro, o tempo deixou a sua assinatura: pequenas marcas, nuances, variações no esmalte. E é exactamente aí que mora a alma da peça — na honestidade do uso, na matéria que envelhece com dignidade e na poesia do quotidiano.
AUTOR / OFICINA: Oficina portuguesa do séc. XIX, de tradição popular, onde a decoração era feita à mão, com pincelada livre e linguagem própria — manganês para o desenho e verde-cobre para a vibração. Estas oficinas trabalhavam para a vida real: pratos grandes, resistentes, expressivos, pensados para ir à mesa e ficar na casa. O “ratinho” é uma assinatura cultural dessa época: um objecto utilitário transformado em identidade.
Disponível na Batalha Collection (Faro) / reserva e envio. ✨📩🚚







